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Terça, 03 Abril 2012 12:54

Fatos Interessante

 
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    A agenda presidencial e seus (des)encontros

    Era dia da Parada Militar no Eixão Sul e a comitiva já atrasada, ao sair do Palácio da Alvorada se deparou com dois ônibus lotados de gaúchos que haviam sidos barrados pela Guarda. Nosso presidente pediu que parasse o carro, desceu e, em meio a aplausos e aclamações da gauchada acabou por encontrar o líder da caravana, o então governador do RS, Leonel Brizola.

    - “Senhor Presidente, pensei em mostrar o Palácio aos meus companheiros de viagem, mas me parece um tanto difícil agora!”

    Juscelino, com um grande sorriso logo respondeu olhando para todos:

    - “A casa é dos senhores. Sinto não poder ficar para recebê-los. Tenho que presidir o desfile que começa agora.”

    Voltando sua atenção ao governador, perguntou:

    - “E por que não veio almoçar comigo?”

    Brizola explicou-se dizendo que havia combinado com seus companheiros de almoçarem juntos e então fizeram um grande pic-nic, em plena Praça dos Três Poderes, com as caixinhas de lanche que receberam da companhia aérea que os trouxe.

    Juscelino então o convidou a voltar à noite e despediu-se de Brizola em meio a outras incontáveis mãos querendo cumprimentá-lo. Finalmente chegou ao carro, mas poucos metros depois, nova parada. Era o arcebispo D.Vicente Scherer.

    Quantas vezes mais pararam não se contou, mas parece que já era um tanto difícil cumprir horários com rigor. Ao menos para um homem do povo.

    Ainda admirado daqui a cem anos.

    JK abordou Oscar Niemeyer (convidado para ser o grande arquiteto da nova capital) da seguinte forma:

    - “Vou lhe dar a mesma oportunidade que Júlio II proporcionou a Michelangelo, ao pedir-lhe que fizesse seu túmulo.”

    Niemeyer achou graça, mas não deixou de pensar na semelhança entre as situações. Em poucos dias o projeto estava entregue. Estaria naqueles papéis o futuro Palácio da Alvorada. Juscelino olhou, examinou e reconheceu a beleza da concepção artística, mas ainda assim disparou:

    - “O que eu quero, Niemeyer, é um palácio que, daqui a cem anos, ainda seja admirado.”

    No dia seguinte, o Presidente Juscelino Kubitschek tinha em sua mesa o projeto final que foi prontamente e integralmente aprovado. Sua construção teve início imediato e terminou em 18 meses.

    Pra japonês ver.

    Ainda no início da construção de Brasília, Israel Pinheiro, então presidente da NOVACAP a convite direto de JK, começava a pensar na necessidade de criar uma infraestrutura agrícola em torno da cidade, para fornecimento alimentar. Sendo assim, convidou uma missão japonesa a vir ao Brasil e estudar a possibilidade de um projeto agrícola na Nova Capital.

    Em um grupo extremamente organizado, chegaram os japoneses. Ouviam tudo, mas apenas um deles falava. Israel Pinheiro e o grupo saíram em uma caminhoneta pelos caminhos ainda virgens nos arredores de Brasília. Enquanto levantavam poeira vermelha em meio à vastidão do cerrado, Israel advogava em causa própria em nome de uma grande experiência agrícola.

    Foram de um lado para o outro e os japoneses nada.  Já irritado, Israel Pinheiro indagou:

    - Então, os senhores não têm nada a dizer?

    - Temos sim senhor. Terra ruim, muito ruim, né?

    - E se fosse boa eu ia chamar japonês?  Ia?!

    Primeiros aqui, primeiros daqui.

    É impossível falar da construção de Brasília sem falar de um pioneirismo que possibilitou muitas histórias do início e da construção de Brasília. Algumas verdadeiras e outras não, mas todas muito interessantes.

    Como não poderia deixar de ser, Brasília teve sua primeira escola – com algumas aulas ao ar livre, o primeiro hospital, a primeira farmácia, o primeiro hotel, o primeiro bar... Ah, o primeiro bar merece destaque. Seu nome era Bar Maracangalha e tudo o que se ouvia era: “eu vou pra Maracangalha eu vou...”

    Outro primeiro que não poderia deixar de ser falado, foi o primeiro casamento. Com uma leve brisa e pássaros cantando na manhã ensolarada do dia 17 de março de 1957, casaram-se o Sr. José Vitório da Silva e a Sr.ª Generina Maria do Santos. Talvez não tenha sido numa manhã ensolarada – afinal, março é um mês de chuva –, mas assim foi contado.

    Mas uma história que não pode mesmo ser esquecida é a do nascimento do pequeno Brasílio. Pequeno na época, pois hoje já deve ser um quarentão. Enfim, em uma noite daquelas de chuva, onde tudo o que você faz é esperar dormir e acordar no dia seguinte, uma voz gritava por um médico. E foi aquele agito, aquele corre-corre e aquela confusão toda. Aparece o médico, entra no quarto e aquele povaréu do lado de fora querendo ouvir, saber e espalhar notícia da primeira criança nascida em Brasília. Quando todos já estavam calmos e muitos nem ali estavam mais, soube-se que era um menino. E tamanha foi a festa, que Brasílio Franklin Queiroz foi batizado pelo próprio Presidente Juscelino Kubtischek.

    O primeiro parto feito aqui, o primeiro menino daqui.

    Sou candango!

    No início foi uma discussão se o termo para os nascidos em Brasília seria brasilenses ou brasilianos, mas nenhum deles caiu no gosto popular que só “o uso” poderia decretar vencedor.

    E acabou que se quem nasce no Rio é carioca, quem nasce no Espírito Santo é capixaba e quem nasce no Rio Grande do Sul é gaúcho, quem nasce em Brasília só poderia ser candango. Candango? Mas o que é isso? Palavra que veio da áfrica e indicava como os nativos se referiam aos portugueses. É uma variação de candongo, palavra do idioma Quimbundo. E fica mais complicado. Pequeno benzinho, do reino de Angola, pequeno angolês, adulação, caçoada, termo depreciativo com o qual os escravos se referiam aos lusos e sinônimo de cafucu (mistura de cafuzo, negro e mameluco). Apenas nos tempos mais próximos à construção de Brasília virou um termo generalizador para todos os emigrantes que tentavam a vida em lugares diferentesl, ou seja, pau-de-arara.

    Hoje, candango é o mesmo que herói. Assim como os pracinhas que antes eram diminuídos e hoje são donos de medalhas, os primeiros candangos tornaram possível a nova capital.

    Esses primeiros habitantes de Brasília deixaram um legado para que hoje, quem nascer aqui poder dizer com orgulho: “sou candango!”

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