Governo do Distrito Federal
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22/03/16 às 14h29 - Atualizado em 29/10/18 às 15h55

Fontes hídricas do DF têm pouco a comemorar no Dia Mundial da Água

Segundo especialistas, ocupação desordenada do solo, acúmulo de lixo e sistema de drenagem ineficiente geram riscos a recursos hídricos da região

 

João Gabriel Amador, do Metrópoles

 

Brasília (22/03/2016) – Nesta terça-feira, 22 de março, é celebrado o Dia Mundial da Água. Mas, infelizmente, o Distrito Federal não tem tantos motivos para comemoração. Apesar de alguns avanços, a ocupação desordenada do solo, o déficit no sistema de captação das águas da chuva e o acúmulo prejudicial de lixo colocam em risco os recursos hídricos do DF. “Estudos apontam que os locais de bacia hidrográfica do DF comportam, no máximo, cerca de 750 mil habitantes. Mas já temos 900 mil ocupando esse tipo de área”, afirmou, em palestra, Camila Aida Campos, da Coordenação de Informações Hidrológicas da Agência Reguladora de Águas (Adasa).

 

O professor de engenharia civil e especialista em recursos hídricos Sérgio Koide acredita que a urbanização sem a infraestrutura necessária é um dos pontos-chave para prováveis problemas futuros. “Locais como Águas Claras e Vicente Pires foram ocupados de qualquer maneira, sem seguir planejamentos urbanísticos para assegurar estruturas básicas. Por mais que sejam feitas obras para reduzir os problemas de escoamento, por exemplo, dificilmente a situação será completamente resolvida porque novas áreas vão sendo ocupadas”, explica o engenheiro.

 

Segundo Koide, o excesso de obras sem estudos prévios leva à impermeabilização do solo e à consequente perda de locais para recarga de aquíferos subterrâneos, como pode ser visto no mapa acima, realizado para o plano de Zoneamento Ecológico-Econômico do DF.

 

Algumas consequências do mal planejamento do uso do solo já podem ser vistas. Caso dos recentes transtornos em períodos de chuva. “Grandes construções, como o Estádio Mané Garrincha, levam a uma impermeabilização do solo. O resultado é que as águas que escorrem no Plano Piloto ganham mais velocidade na descida, dificultando a absorção e acumulando em alguns pontos”, afirma o especialista.

 

Lixo perigoso

O acúmulo inadequado de lixo no DF também contribui para possível contaminação das águas. Atualmente, os dejetos produzidos na Unidade da Federação são levados para o Aterro Controlado do Jóquei, conhecido como Lixão da Estrutural, o maior da América Latina.

 

Segundo especialistas, não se sabe a real dimensão dos prejuízos ambientais que os mais de 40 anos do lixão trouxeram. “Em todos esses anos, não foram feitos estudos para analisar como que o solo e os lençóis d’água foram afetados pelo acúmulo de lixo. Não basta apenas encerrar as operações. É preciso verificar qual a situação para estabelecer os planos de recuperação”, analisa Luciano Soares, professor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília.

 

A intenção do GDF é encerrar as operações do Aterro do Jóquei até meados de 2017. O Aterro Sanitário Oeste, em Samambaia, considerado ecologicamente correto, só deve começar a funcionar no segundo semestre deste ano.

 

Em outros pontos do DF, os registros de contaminação apontam um quadro alarmante. Segundo a Avaliação da Situação da Qualidade das Águas, realizada pela Adasa, alguns parâmetros apresentam índices piores do que esperado. “Os resultados demonstram que das 40 Unidade Hidrográficas do Distrito Federal apenas uma não apresentou, ao longo dos dois últimos anos, valores em desconformidade com os limites estabelecidos pela Resolução Conama nº 357/2005”. O estudo avaliou quantidades de elementos prejudiciais, como fósforo, resultante do despejo de esgoto nas mananciais, e coliformes, além da proporção de oxigênio presente nas águas.

 

Mudanças 

Algumas iniciativas têm sido buscadas por órgãos governamentais no intuito de reverter a situação de risco. Um deles é o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). Previsto na Lei Orgânica do Distrito Federal e ação nacional em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o documento indicará como os investimentos e os novos empreendimentos de ocupação do solo devem ser feitos com o menor impacto ambiental possível.

 

A ação conta com estudos realizados em conjunto por diversos órgãos governamentais, incluindo mapas de risco do DF, como de recarga de aquífero, contaminação do solo, erosão e áreas remanescentes de Cerrado.

 

Quanto ao sistema de captação de águas pluviais, a principal aposta é o projeto Drenar-DF. Representantes do Executivo local e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se encontraram, na tarde de quinta-feira (17/03), para debater soluções para o projeto de gestão de drenagem urbana em Brasília.

 

Previsto para ser feito em duas etapas, o programa Drenar-DF vai redimensionar a rede de águas pluviais do Plano Piloto e de Taguatinga. Mas, até agora, está apenas no papel.

Zoneamento Ecológico-Econômico do Distrito Federal - Governo do Distrito Federal

ZEE-DF